Sermão São Pedro Afurada

Somos um povo abençoado, porque Deus nos concedeu a grande graça de termos um padroeiro verdadeiramente extraordinário: Pedro, o Bispo que Jesus escolheu para presidir à Igreja nascente.

Os Bispos são continuadores do Ministério dos Apóstolos e, hoje, nesta nossa linda terra, temos a graça — e agradecemos penhoradamente a Deus — de termos connosco o Senhor Dom Roberto, Bispo Auxiliar do Porto, que presidiu esta manhã à Solene Eucaristia e que agora nos dirige a todos, em forma de sermão, a sua palavra, que é também palavra de Deus.

O Senhor Dom Roberto é um bispo jovem, que nos oferece sempre simpatia, sorrisos e proximidade.

Senhor Dom Roberto, desde já, o nosso muito obrigado pela grande bondade e pelo esforço de ter presidido à Eucaristia e de nos ter acompanhado nesta Solene Procissão, que enche os corações e as almas dos Afuradenses e de todos os que nos visitam.

Valho-me desta oportunidade para agradecer a todos os que colaboraram nesta festa:

– A quem enfeitou os andores de forma tão artística;

– A quem os carregou com tanto empenho;

– A todos os que contribuíram para que estes dias fossem, de facto, jubilosos.

Particularmente à Comissão de Festas — ao nosso Emanuel, ao nosso Nuno, ao nosso Paixão e à Laura — por terem conseguido organizar tudo com grande sucesso.

Muito obrigado também às Excelentíssimas Autoridades pela sua amável presença.

Senhor Bispo, a palavra é sua.

Muito obrigado. Ficamos profundamente gratos pela sua presença e bondade.

Padre Almiro Mendes

Com São Pedro e como São Pedro, invocamos aqui, neste momento, ao terminar a procissão, a bênção de Deus para esta paróquia da Afurada, para os pescadores e para todos aqueles que vivem tão bem da arte do mar. Que esta bênção possa ecoar em nosso coração.

Estamos em 2025, ano do jubileu, celebrando com alegria e júbilo o nascimento de Jesus, há 2025 anos. Este Jesus que celebramos neste jubileu, com o tema “Peregrinos de Esperança,” acompanhou-nos ao percorrer as ruas da paróquia de São Pedro da Afurada. No embelezamento das ruas, encontrei, vi e certamente todos vimos a âncora com a cruz, símbolo presente desde o início deste ano jubilar.

Por isso, deixo os parabéns à paróquia, ao Pároco, o Senhor Padre Almiro, pelo belo, empenhado e dedicado trabalho no seio da nossa Diocese do Porto, junto com toda a comunidade e a Comissão de Festas, pelo cuidado em organizar e embelezar com dignidade estas festas que, pelo seu cunho tradicional e popular, marcam a vivência da fé e da cultura deste povo, com os seus 48 andores.

Nesta comunhão das coletividades, e da dimensão civil da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia, a quem também deixo a minha palavra grata e amiga, nesta comunhão de todos nós, que certamente queremos o bem, também, para todos.

Com São Pedro, Peregrinos de Esperança. São Pedro, com estes santos, com Jesus e com Nossa Senhora, percorreu as ruas desta terra. Com a certeza de que São Pedro é também peregrino de cada um de nós, que vem ao encontro de cada um.

São Pedro, escolhido pelos nossos antepassados como padroeiro, é um grande modelo e exemplo para que nunca se afaste de nós, não se desvie de nós, mas para que sua proximidade seja sempre sentida. Vimos como, em certos momentos, o andor foi levantado com as mãos — certamente um sinal de gratidão e reconhecimento pelas graças que Deus, por meio de São Pedro, concede a esta terra e a todos que o invocam em suas aflições.

Cruzei o caminhar das ruas, na alegria e na felicidade do rosto de muitos. Também vi rostos tristes, percebia-se marcado pelo luto em algumas famílias, no cruzar do caminhar, também, das suas vidas. É este mesmo São Pedro que se faz peregrino do caminhar da vida de todos nós, nos momentos bons e alegres, também nos momentos difíceis, aonde, certamente, também, levantaremos o olhar para ele, para que também nos ampare e nos proteja. Lembremo-nos disso.

Peregrinos de Esperança, com a certeza de que nosso padroeiro São Pedro também é peregrino connosco, caminha connosco, está connosco, está junto de Deus e intercede por nós. E aí situados, Peregrino de Esperança, que, obviamente, olhamos para São Pedro. Foi um peregrino, também, e por isso é que ele se apresenta como peregrino, modelo exemplar para nós.

São Pedro descobriu uma meta, um exemplo, um modelo, um caminho: Jesus — “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.” O mesmo Mestre que lhe falou, como aos apóstolos fala a cada um de nós.

Por isso, São Pedro nunca andou à deriva, sem norte, sem rumo ou orientação, apesar dos momentos difíceis, inclusive a negação do seu Mestre, que depois chorou, também as perseguições e o martírio. Mas é no caminhar da sua vida que ele tem um rumo, tem uma meta, que ele percorre uma orientação que é Jesus, que é Deus, que é Boa Nova, que é o Evangelho.

Caros amigos e amigas, irmãos e irmãs, nesta fé em Jesus e nesta devoção a São Pedro, quem não precisa de esperança na vida? Quem não precisa de um rumo, de uma meta? Quem não precisa de uma orientação? Todos precisamos.

Os estudos mostram que, nos últimos dez anos, a juventude enfrenta grandes angústias. Isso nos interpela, jovens, adultos, a todos nós. Precisamos de uma esperança que não engane. Precisamos de uma alegria que nos preencha e vá para além de quando as vezes vicissitudes são fáceis.

Precisamos de uma âncora — como o barco precisa — para dar segurança e estabilidade à nossa caminhada na vida. São Pedro encontrou essa âncora. São Pedro descobriu-O. Melhor: foi encontrado por essa âncora que é Jesus, que acolheu, que o guiou e por ela depois se deixa nortear no caminhar da sua vida.

Povo da Afurada e todos que aqui se juntam e alegram no caminhar destas festas sintam também isto. Sintam o desejo de buscar esse norte, esse rumo, essa orientação, essa alegria e esperança que é o próprio Jesus.

Eu no caminhar da minha vida, não sou modelo para ninguém, mas por 25 anos fui pároco antes de vir para o Porto. Muitas vezes me perguntaram se eu andava sempre contente, se a vida me corria sempre bem. Sabe Deus: a vida tem seus altos e baixos, tem de tudo. O importante é encontrar, no meio das vicissitudes da vida, essa alegria e esperança à qual nos agarramos, porque ela é quem nos levanta e conduz.

Foi assim São Pedro no caminhar de toda a sua vida.

E aqui deixo três pequenos apontamentos, que são imensos, da vida de São Pedro, ligados ao mar, ao rio, à pesca, que marcam esta comunidade no caminhar da sua história.

São Pedro, homem sábio na sua arte, profissão, da sua pesca. Vão pescar e apareceu alguém que nunca tinha pescado que foi Jesus apareceu e lhe disse:

— Pescaste alguma coisa?

— Não pesquei nada.

— Lança a rede outra vez.

— Já que o dizes Mestre, assim farei.

E a pesca foi abundante.

São Pedro foi humilde para aprender e deixar-se guiar por Jesus, que mudou sua vida e sua profissão. E a pesca foi a abundante. Que essa abundância esteja também em casa de cada um de nós, nas nossas famílias, nos nossos trabalhos, na pastoral desta paróquia — lançando a rede onde o Senhor nos aponta, para que a pesca possa ser abundante.

E lembraremos quando São Pedro, estando no barco, viu Jesus caminhar sobre as águas. Disse:

— Se és tu, Senhor, manda-me ir ter contigo.

Jesus respondeu:

— Anda!

São Pedro foi, mas é no meio do caminhar sobre as águas que começou a afundar-se. Clamou:

— Salva-me, Senhor!

— Porque duvidas-te, homem!

E Jesus estendeu a mão, segurou-o e o salvou.

Que cada um de nós, peregrino de esperança na vida, possa no seu coração peregrinos da esperança, peregrinos da nossa vida, clamar também como São Pedro:

— Salva-me, Senhor!

A mão de Deus nunca é curta, diz a Sagrada Escritura várias vezes. Ela chega a todos nós, basta nós querermos acolhê-la.

São Pedro solicitou essa mão, agarrou-se a essa mão, segurou-se nessa mão.

E quase a terminar, São Pedro volta à sua arte, do barco, das redes, da pesca e consertando redes. Redes que precisam ser consertadas para estarem sempre unidas para cumprirem sua função, seja consertar as redes da unidade num casal, numa família de irmãos, consertar as redes numa comunidade, numa paróquia, consertar as redes numa diocese, consertar as redes neste mundo tão violentado e atormentado.

E é no diálogo com Jesus, consertando essas redes, que ouviu:

— Segue-Me, farei de ti pescador de homens.

Deixou sua arte antiga para seguir a nova arte, como apóstolo, discípulo e missionário.

— Farei de ti Pescador de Homens.

Também aqui, na Afurada, somos pescadores de homens e mulheres, de todas as gerações e idades.

São Pedro és tu, sou eu, somos nós, hoje, no caminhar desta terra, na caminhada da fé, com o pároco, o diácono, na comunhão de todos e toda a pastoral.

Hoje és tu, São Pedro, pescador de homens e mulheres, capaz pelo entusiasmo apaixonado à tua fé de interpelar e contagiar outros com a alegria de caminhar com Jesus, peregrinos de esperança na vida, sentirmos como vale a pena e é diferente caminhar com Jesus e caminhar para Jesus.

Com São Pedro e como São Pedro, Peregrinos de Esperança no caminhar da vida de todos nós, sempre nos ajude e ampare. Ele que olha para o céu.

O hino jubilar diz na última estrofe:

“Levanta o teu olhar, levanta o teu olhar, e não te atrases.”

Ele tem as chaves na mão, tu tens a chave da tua vida e Deus deu a cada um de nós a chave para a nossa vida, para abrir portas na esperança e no horizonte.

Levanta o teu olhar, e não te atrases!

Agradecemos a São Pedro, e a Deus por intermédio de São Pedro.

Viva São Pedro! Viva o povo da Afurada!

Que Senhor por ele vos abençoe.

Bispo Dom Roberto Rosmaninho Mariz

Paróquia da Afurada, 29 junho 2025

Procissão 16h00